O Ministério Público denunciou nove pessoas por suspeita de integrar uma organização criminosa que teria atuado na Secretaria de Saúde de Rio do Sul entre o fim de 2023 e 2024. O documento, assinado em 5 de setembro pelas promotoras Rafaela Denise da Silveira Beal e Camila Vanzin Pavani, aponta fraudes em licitações, contratos administrativos e movimentações financeiras que somariam R$ 11,3 milhões.
Esquema articulado com empresas de fachada
Segundo a acusação, os denunciados formaram uma estrutura organizada e estável para obter vantagens ilícitas em contratos públicos. O grupo teria criado empresas em nome de terceiros, os chamados “laranjas”, com o objetivo de dificultar o rastreamento da titularidade e simular legalidade nas contratações.
As licitações eram direcionadas para beneficiar empresas ligadas ao esquema, com orçamentos falsificados e concorrência simulada. O Ministério Público destaca que parte do dinheiro era paga como propina a servidores e intermediários, em percentuais que chegavam a 25% dos contratos.
Liderança e influência política
O médico Gregori Fernando Bertagnolli foi apontado como líder do grupo, responsável por controlar empresas em nome de terceiros e articular falsificação de documentos. Mesmo sem vínculo formal, teria recebido valores obtidos em contratos com o Fundo Municipal de Saúde.
A ex-secretária de Saúde Roberta Hochleiter e a vereadora Sueli Terezinha da Silva também são citadas como peças centrais no esquema. Segundo a denúncia, Roberta usava seu cargo para facilitar o direcionamento das licitações, enquanto Sueli foi flagrada com movimentações financeiras incompatíveis com sua renda.
Indícios de lavagem de dinheiro
As investigações revelaram depósitos em espécie e cheques que ultrapassaram os salários declarados de Sueli. Em uma busca realizada em sua residência em novembro de 2024, foram encontrados R$ 7 mil em dinheiro vivo.
O MP ainda aponta que os denunciados movimentaram valores por meio de contas de terceiros, tanto pessoas físicas quanto jurídicas, para mascarar a origem ilícita dos recursos. Essa prática se enquadra como possível lavagem de dinheiro, conforme a Lei nº 9.613/1998.
Processo em andamento
O Ministério Público pede a condenação dos acusados e o ressarcimento aos cofres públicos. O processo segue em fase de instrução criminal, sem sentença definitiva até o momento.
