O senador Esperidião Amin (PP-SC) criticou duramente o voto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na ação que levou à condenação de Jair Bolsonaro e de outros sete acusados por tentativa de golpe de Estado. Para Amin, Moraes baseou sua decisão em “provas forjadas”.
A declaração foi dada em entrevista à repórter Tatiana Azevedo, do portal ND Mais, nesta terça-feira (9). O parlamentar disse que é contrário à condenação do ex-presidente e voltou a defender a criação da CPI da Vaza Toga, que teria como objetivo investigar atuações do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 2018 e 2025.
“Queremos apurar a fundo porque entendemos que as provas usadas no julgamento foram produzidas de maneira incompatível com o Estado de Direito. É por isso que a CPI é necessária”, afirmou o senador.
Ministro citou Amin durante julgamento
Em seu voto, Moraes mencionou o nome de Amin ao afirmar que Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, utilizou um parecer solicitado pelo senador para questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas. O episódio teria ocorrido durante uma transmissão ao vivo de Bolsonaro em julho de 2021.
Na ocasião, Torres alegou que não era possível auditar adequadamente o processo de apuração dos votos. O ex-ministro afirmou ter se baseado em relatórios técnicos da Polícia Federal. Moraes, no entanto, sustentou que testemunhas apontaram o contrário: segundo o ministro, não houve uso de laudos periciais, mas de pareceres com recomendações políticas.
“Um dos pareceres foi encomendado por Esperidião Amin, aliado de Bolsonaro. Não havia base técnica, mas sim argumentos para sustentar atos contra a credibilidade das urnas, da Justiça Eleitoral e do Judiciário”, declarou Moraes.
Amin rebate críticas e nega autoria de pedido
Ao ND Mais, Amin contestou a versão de Moraes. “Ele escolhe uma narrativa e a coloca acima dos fatos. O parecer técnico não foi solicitado por mim”, afirmou. O senador explicou que as recomendações partiram da Polícia Federal, em resposta ao TSE, e que entre elas estava a defesa do voto impresso para fins de auditoria.
O parlamentar já havia se manifestado em outras ocasiões favorável à adoção do voto impresso nas eleições de 2026. Para ele, a medida seria uma forma de reforçar a transparência e atender ao desejo de parte do eleitorado que desconfia do sistema político.
Fonte: ND+
