Dias antes da morte de uma bebê de oito meses em Joaçaba, o Conselho Tutelar de Campos Novos recebeu uma denúncia anônima envolvendo a família. O relato apontava que a mãe havia se mudado para o município há cerca de três meses com os filhos, vivia em situação de vulnerabilidade social e era negligente nos cuidados de higiene das crianças.
Visita anterior à tragédia
Em nota oficial, o Conselho Tutelar confirmou que esteve na residência no dia 19 de agosto, mas não encontrou ninguém. Um comunicado foi deixado para que a mãe comparecesse ao órgão. Ela chegou a responder por mensagens que iria no dia seguinte, porém, naquela noite, buscou atendimento na UPA de Herval d’Oeste com a filha, o que impediu a atuação imediata do conselho.
Ainda segundo a nota, não havia denúncias anteriores de maus-tratos ou agressões contra as crianças. A delegada responsável pela investigação, Fernanda Gehlen, também confirmou que não existiam registros formais nesse sentido.
O caso da bebê
A criança foi levada pela mãe à UPA na madrugada de 20 de agosto, apresentando febre e dificuldade respiratória. Após a transferência ao Hospital Universitário Santa Terezinha, em Joaçaba, exames revelaram múltiplas fraturas em diferentes estágios de cicatrização e uma lesão pulmonar. A bebê não resistiu e faleceu na noite do mesmo dia.
Durante o atendimento, segundo a Polícia Militar, a mãe, de 21 anos, apresentou contradições em seu relato e tentou ocultar a existência do companheiro, padrasto da vítima. O irmão da bebê, de três anos, também apresentou sinais de possível agressão e foi submetido a exame pericial.
Depoimentos divergentes
A Polícia Civil ouviu a mãe e o padrasto, que deram versões diferentes sobre os cuidados com as crianças. Cada um atribuiu ao outro a responsabilidade. A delegada informou que nenhum dos dois relatou ter presenciado agressões, mas as contradições são alvo da investigação.
Um laudo cadavérico deve apontar a causa definitiva da morte da bebê. As apurações seguem em andamento.
