Réu organizou crime de dentro da penitenciária e teve condenação agravada
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) obteve, em grau de recurso, o aumento da pena do homem apontado como mentor intelectual de um violento assalto a uma cooperativa de crédito, ocorrido em Mafra. A condenação, que inicialmente era de 32 anos e quatro meses, passou para 40 anos e seis meses de prisão após decisão unânime da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.
Mesmo preso na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, o réu coordenou, à distância, toda a ação criminosa que resultou em grande repercussão na região. A operação envolveu armas de fogo, um menor de idade e múltiplos participantes.
Justiça reconhece roubo de celulares das vítimas
Na sentença de primeira instância, o acusado havia sido condenado por latrocínio tentado, adulteração de sinal identificador de veículo e corrupção de menor. No entanto, foi absolvido da acusação de roubo de três celulares, pertencentes às vítimas que estavam na agência no momento do crime.
Para o juízo da Comarca de Mafra, a intenção dos criminosos ao recolher os celulares seria impedir que os clientes e funcionários acionassem a polícia, e não subtrair os bens em si.
O MPSC discordou e recorreu ao Tribunal de Justiça, sustentando que os aparelhos foram efetivamente roubados, pois têm alto valor econômico, são de fácil transporte e estavam no mesmo saco plástico onde os assaltantes esconderam o dinheiro roubado, conforme apontou a Polícia Científica.
Decisão reconhece agravantes e aumenta a pena
O Tribunal acolheu integralmente os argumentos do Ministério Público. A nova sentença incluiu a condenação por roubo dos três celulares, com agravantes pelo uso de arma de fogo e pela restrição de liberdade das vítimas, o que elevou a pena do réu.
Outros integrantes da quadrilha já foram julgados e condenados em ações paralelas, que já transitaram em julgado.
O crime: assalto armado e tentativa de homicídio
O assalto ocorreu em novembro de 2022 e foi cuidadosamente articulado, mesmo com o mentor preso. A quadrilha, armada com revólveres e simulacros, invadiu a agência, rendeu clientes e funcionários, e levou dinheiro em espécie e celulares.
Durante a ação, um vigia foi baleado no pescoço ao tentar reagir, mas sobreviveu após ser socorrido e passar por cirurgia. A atuação rápida da polícia resultou na prisão em flagrante de três envolvidos e na recuperação dos bens roubados.
Outros membros do grupo criminoso, responsáveis pelo apoio logístico e transporte, também foram identificados, denunciados e condenados pela Justiça.
Por Demais FM
