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Manifestação na Paulista pede anistia e critica julgamento de Bolsonaro

Rovena Rosa/Agência Brasil

Neste domingo (29), milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, em um ato com o slogan “Justiça Já”. A manifestação teve como foco central contestar o julgamento do ex-mandatário no Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele responde por suspeita de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.

Dois dias antes do evento, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, autorizou a fase de alegações finais no processo que investiga a suposta articulação golpista.

Pautas diversas e apelo à anistia

Além da crítica ao Supremo, os manifestantes defenderam a anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas em Brasília. Faixas pedindo a libertação dos presos foram exibidas, ao lado de bandeiras dos Estados Unidos, de Israel e do Brasil.

Outros temas também foram destacados pelos participantes, como críticas ao decreto do governo federal sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e denúncias de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigadas pela Polícia Federal.

Presença de lideranças políticas e religiosas

A manifestação foi organizada pelo pastor evangélico Silas Malafaia, que dividiu o palanque com figuras do alto escalão político, como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Jorginho Mello (SC). Todos discursaram ao lado de Bolsonaro em um trio elétrico estacionado próximo ao Parque Trianon, no cruzamento da Rua Peixoto Gomide com a Avenida Paulista.

Os apoiadores se concentraram em um quarteirão entre o Masp e a sede da Fiesp, vestidos em sua maioria de verde e amarelo. De acordo com estimativa feita por drones e softwares de inteligência artificial, o público foi calculado em 12,4 mil pessoas, conforme levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap e da ONG More in Common — número menor que os 44,9 mil estimados em ato semelhante, realizado em abril.

Bolsonaro pede maioria no Congresso em 2026

Ovacionado aos gritos de “mito”, Bolsonaro defendeu a eleição de uma maioria conservadora no Congresso em 2026, como estratégia para implementar mudanças no país. “Se queremos que o nosso time vença, temos que investir e acreditar”, declarou. Ele também voltou a pedir anistia aos condenados pelos ataques de janeiro. “Liberdade para os inocentes do 8 de janeiro. A anistia é constitucional e necessária para pacificar o Brasil”, disse.

Malafaia ataca STF e questiona delação de Mauro Cid

Em tom mais inflamado, o pastor Silas Malafaia acusou o ministro Alexandre de Moraes de agir de forma autoritária e criticou o uso das delações do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, como base para a acusação. “A denúncia da PGR se sustenta numa delação fajuta. É uma farsa jurídica”, afirmou. Para Malafaia, Moraes teria mantido Cid preso apenas para garantir a validade de sua delação.

Tarcísio defende anistia e critica gestão federal

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, foi o mais aplaudido da tarde. Em sua fala, defendeu a anistia como medida para restabelecer a paz institucional e teceu duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O país está esgotado. Já não suporta mais gastos sem controle, corrupção, juros altos e aumento de impostos. O Brasil não aguenta mais o PT”, afirmou.

O governador também sugeriu que Bolsonaro ainda tem papel relevante a cumprir na política nacional. “Sua missão não terminou. Volta, Bolsonaro!”, disse, apesar da inelegibilidade do ex-presidente até 2030, determinada pelo TSE.

Com informações da Agência Brasil

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