Dados oficiais do sistema TabNET, do DataSUS, mostram um cenário preocupante envolvendo pedestres e ciclistas nos municípios de Mafra e Canoinhas. Entre janeiro de 2020 e março de 2025, foram registradas 141 internações em unidades hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) devido a acidentes de trânsito com essas vítimas.
Somente em casos de atropelamento, os dois municípios contabilizaram 59 internações no período. Mafra responde por 45 ocorrências e Canoinhas por 14. Uma morte foi registrada em decorrência dos ferimentos.
Já em acidentes com ciclistas, 82 pessoas foram internadas. Mafra lidera o número com 51 internações, seguido por Canoinhas com 26. Também foram contabilizadas três internações em Major Vieira, uma em Papanduva e uma em Três Barras. Os dados revelam ainda que cinco ciclistas morreram em Mafra após complicações causadas pelos acidentes.
Recentemente, dois atropelamentos em dias seguidos chamaram a atenção em Canoinhas e Três Barras. Ambos os casos foram registrados por câmeras de segurança e envolveram vítimas que atravessavam a via pela faixa de pedestres.
O primeiro caso ocorreu em Canoinhas, na rua Senador Felipe Schmidt. Duas professoras da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) foram atropeladas a caminho do trabalho. O motorista fugiu sem prestar socorro. As vítimas tiveram apenas escoriações e foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Canoinhas. Horas depois, o condutor foi localizado pela Polícia Militar em uma oficina mecânica, onde tentava consertar o carro danificado.
No dia seguinte, uma enfermeira da UPA de Três Barras foi atropelada enquanto atravessava a avenida Rigesa, também pela faixa de pedestres. O motorista permaneceu no local e prestou esclarecimentos. A vítima foi atendida por equipes médicas.
Em abril de 2025, um caso comoveu a comunidade e levantou questionamentos sobre o atendimento e a apuração de atropelamentos na região. Adolar Alves dos Santos, de 62 anos, foi vítima de um atropelamento em Canoinhas, na rua Roberto Ehlke, no bairro Jardim Esperança.
Adolar, que vivia como andarilho havia décadas, foi socorrido com múltiplos ferimentos pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado à UPA local, mas não resistiu. O atestado de óbito aponta politraumatismo e registra a causa provável como “atropelamento em estacionamento”.
Segundo familiares, o responsável fugiu do local sem prestar socorro. Semanas depois, um homem — auxiliar de necrópsia do Instituto Geral de Perícias (IGP) — foi encontrado dormindo ao volante, embriagado, na mesma rua onde o atropelamento ocorreu. A Polícia Militar registrou que o condutor apresentava sinais claros de embriaguez e se recusou a fazer o teste do bafômetro. Ele foi preso após resistir à abordagem e, segundo apurado, é o principal suspeito do atropelamento que causou a morte de Adolar. O homem permanece em prisão preventiva no Presídio Regional de Canoinhas.
Os números e casos recentes reforçam a necessidade de reforço na fiscalização de trânsito, sinalização adequada e campanhas de educação para motoristas e pedestres. As estatísticas apontam que o trânsito urbano segue sendo um espaço de risco diário para os mais vulneráveis, como ciclistas e pedestres, exigindo ações mais firmes do poder público.
Fonte: Jmais
Texto: Adaptação Demais FM.
