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SC deixou de aplicar R$ 265 milhões em ações de defesa civil desde 2020, aponta TCE.

Tribunal de Contas do Estado identificou sobras nos valores do orçamento do Governo de Santa Catarina destinado ao setor de prevenção de desastres e emergências climáticas.

 

O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) identificou que o Estado deixou de aplicar R$ 265 milhões em ações de defesa civil entre 2020 e 2023 – média de R$ 66 milhões/ano. A quantia representa recursos que poderiam ter sido usados para prevenir desastres naturais e proteger a população.

O órgão iniciou o levantamento dos dados após identificar “sobra aparente de recursos previstos” para a defesa civil, mesmo com o estado passando por fenômenos climáticos extremos nesse período, como enchentes, deslizamentos e prejuízos decorrentes de ventos fortes, tornados e microexplosões.

Em resumo, o TCE identificou que:

  • Em 2022, 61% dos recursos para defesa civil não foram utilizados. Em 2021, foram 57% e em 2020 o índice ficou em 60%;
  • Em 2023, a Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil (SPDC) recebeu R$ 23,4 milhões para obras na bacia do Rio Itajaí, mas até o momento não houve empenho de recursos;
  • Recursos do Fundo de Melhoria do Corpo de Bombeiros não estavam sendo utilizados para reformas em quartéis nos municípios catarinenses;
  • O Corpo de Bombeiros reduziu significativamente o valor individual dos acordos de cooperação e convênios previstos para 2024.

O que diz o Estado de Santa Catarina

A análise do uso dos valores corresponde a duas gestões diferentes. A do ex-governador Carlos Moisés (2019-2022) e do atual governador Jorginho Mello (desde 2023).

Carlos Moisés informou que o orçamento em muitos casos não é executado por motivos alheios à Defesa Civil, como o prazo de licença ambiental ou parceria com outros entes públicos.

A atual Secretaria de Defesa Civil também se manifestou, e informou que o orçamento não é executado em sua totalidade porque uma parte dos valores serve para cobrir os custos de eventuais emergências climáticas.

Recomendações

O TCE-SC reforçou a importância da defesa civil para a segurança da população e cobra medidas efetivas para evitar a perda de recursos, como reverter as “folgas orçamentárias” em ações de prevenção.

“A ocorrência de eventos climáticos extremos é recorrente e com efeitos cada vez mais nefastos em nosso Estado. Nesse sentido, ganham importância as políticas públicas de prevenção, mitigação e resposta a desastres, componentes de uma rede de proteção na qual a defesa civil é protagonista e determinante para o sucesso das ações”, pontuou o conselheiro José Nei Ascari, relator de meio ambiente do órgão.

 

G1 SC

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