Nos últimos dez anos, mais de cinco milhões de brasileiros viram suas moradias destruídas ou danificadas por desastres naturais, segundo um estudo técnico da Confederação Nacional de Municípios (CNM). De 2013 a 16 de maio de 2024, mais de 2,5 milhões de residências foram afetadas, com 115.992 completamente destruídas.
A região Sul lidera em número de moradias impactadas, representando 43,4% do total. Seguem-se as regiões Sudeste (25,5%), Nordeste (15,5%), Norte (10,8%) e Centro-Oeste (5%).
Estados Mais Afetados (2013-2023):
- Rio Grande do Sul: 42.133 moradias destruídas
- Paraná: 10.818
- Bahia: 9.276
- Amazonas: 6.416
- Minas Gerais: 5.900
- Alagoas: 5.841
- Santa Catarina: 5.420
- Maranhão: 5.288
- Pernambuco: 5.194
- Pará: 4.422
Marlon Bento, especialista em infraestrutura e diretor administrativo da Line Bank BR, destaca a crescente tendência de desastres naturais devido às mudanças climáticas, alertando para o aumento do número de pessoas em áreas de risco. “Temos uma possibilidade de, todo ano, termos uma grande tragédia no Brasil”, afirma.
Em 2024, os desastres naturais já causaram R$ 32 bilhões em prejuízos. Aproximadamente 1,9 mil municípios brasileiros possuem moradores em áreas com risco de catástrofes. O levantamento da CNM revela que 94% dos municípios do país declararam situação de emergência ou estado de calamidade pública pelo menos uma vez entre 2013 e maio de 2024.
Rio Grande do Sul: Epicentro dos Desastres
Desde 2013, cerca de 2.850 municípios (51,2% do total) tiveram moradias diretamente afetadas. Apenas em 2024, até 16 de maio, 428 municípios registraram perdas habitacionais, resultando em mais de 1 milhão de pessoas desalojadas ou desabrigadas. No Rio Grande do Sul, 52% das moradias foram danificadas e 77,5% destruídas devido às chuvas intensas e enchentes em maio.
Em resposta, o governador Eduardo Leite anunciou medidas para auxiliar pessoas de baixa renda afetadas pelos desastres. “As providências que adotamos vão garantir que essas moradias sejam reconstruídas rapidamente. Prefeitos que precisarem de apoio podem contar com a preparação de terrenos e nossa equipe técnica está pronta para ajudar”, ressaltou.
O plano Rio Grande, com mais de R$ 800 milhões já encaminhados, inclui projetos de reconstrução, auxílio abrigamento, aluguel social, estadia solidária e o programa Volta por Cima, visando a recuperação do estado e apoio aos moradores mais afetados.
